Aplicativo de entrega vale a pena? A conta da taxa no lanche de R$ 30

03/09/2026

Aplicativo de entrega vale a pena? A conta da taxa no lanche de R$ 30

Para uma lanchonete de bairro, estar em um aplicativo de entrega pode colocar o negócio diante de clientes que ainda não conhecem a marca. Mas existe uma pergunta que precisa vir antes de comemorar cada novo pedido:

quanto realmente sobra depois da venda?

Em um lanche de R$ 30, a diferença entre vender pelo aplicativo, fazer a própria entrega ou receber o pedido diretamente pelo WhatsApp pode alterar bastante a margem do negócio.

A conta começa nos R$ 30

Tomando como referência os planos atualmente divulgados pelo iFood para restaurantes, o plano Básico informa 12% de comissão sobre pedidos delivery, mais 3,2% para pedidos pagos pelo iFood. No plano com entrega do iFood, a comissão informada é de 23%, além dos 3,2% para pagamentos realizados pela plataforma. Também há mensalidade em determinadas condições de faturamento. iFood Parceiros

Veja uma simulação simples para um pedido de R$ 30:

Plano com entrega própria:

  • Pedido: R$ 30,00
  • Comissão de 12%: R$ 3,60
  • Pagamento via plataforma, 3,2%: R$ 0,96
  • Restante antes dos demais custos: R$ 25,44

Plano com entrega pela plataforma:

  • Pedido: R$ 30,00
  • Comissão de 23%: R$ 6,90
  • Pagamento via plataforma, 3,2%: R$ 0,96
  • Restante antes dos demais custos: R$ 22,14

São valores ilustrativos utilizando as taxas publicadas atualmente; condições comerciais, disponibilidade e cobranças podem variar conforme o plano e a região. iFood Parceiros

E ainda faltam entrar na conta ingredientes, embalagem, mão de obra, impostos, desperdícios e o próprio custo da entrega, quando ela é feita pelo estabelecimento.

Então o aplicativo não vale a pena?

A resposta depende do papel que o aplicativo desempenha na operação.

Para uma lanchonete pequena, o aplicativo pode funcionar como vitrine para conquistar novos clientes. A própria plataforma destaca o alcance da loja dentro do aplicativo e oferece ferramentas para acompanhar vendas, avaliações e resultados. iFood Parceiros

O problema aparece quando 100% dos pedidos passam pelo aplicativo e o empreendedor deixa de construir canais próprios de relacionamento.

Nesse cenário, uma parte significativa da receita de cada pedido pode ficar comprometida com comissões e outros custos.

E se a entrega for própria?

Aqui a conta muda.

A lanchonete assume o custo e a responsabilidade da logística, mas pode trabalhar com uma estrutura própria de atendimento e definir sua área, taxa e condições de entrega.

O próprio iFood diferencia os modelos de entrega e informa que restaurantes podem utilizar entregadores parceiros ou sua própria equipe. iFood Parceiros

Para um negócio de bairro, isso pode fazer sentido especialmente quando existe concentração de pedidos em uma área pequena.

Mas não basta comparar “23% contra 12%”.

É necessário calcular quanto custa efetivamente cada entrega: combustível, manutenção da moto, remuneração do entregador, tempo gasto e quantidade de pedidos realizados por rota.

E o pedido pelo WhatsApp?

O WhatsApp pode ser outro canal importante para o cliente que já conhece a lanchonete.

Nesse caso, o estabelecimento pode receber o pedido diretamente, confirmar endereço, combinar a entrega e manter o relacionamento com o consumidor sem depender exclusivamente da vitrine de um aplicativo.

A lógica pode ser simples:

Aplicativo para ser encontrado.
WhatsApp para fortalecer o relacionamento.
Entrega própria quando a operação comportar.

Isso não significa abandonar os aplicativos. Significa evitar que eles sejam o único caminho para o cliente chegar até a lanchonete.

O verdadeiro custo está no conjunto

Imagine que um lanche vendido por R$ 30 tenha R$ 10 de custo de ingredientes e embalagem.

No exemplo do plano com entrega própria e pagamento pela plataforma, restariam R$ 25,44 após as taxas consideradas. Descontando esses R$ 10, sobrariam R$ 15,44 antes de outros custos da operação.

Se houver uma entrega própria que custe R$ 5, esse valor cai para R$ 10,44.

Por isso, olhar somente para o preço do lanche pode enganar.

A pergunta correta é:

quanto sobra por pedido depois de todos os custos?

Uma estratégia pode ser melhor do que escolher apenas um canal

Para o fast-food local, não precisa existir necessariamente uma escolha entre aplicativo ou WhatsApp.

É possível trabalhar os canais de maneira complementar.

O aplicativo ajuda na descoberta do negócio e na aquisição de novos clientes. O atendimento direto pode fortalecer a relação com quem já conhece a marca. A entrega própria pode ser utilizada onde a distância e o volume de pedidos tornam a operação viável.

O empreendedor pode acompanhar, por exemplo:

  • ticket médio;
  • custo dos ingredientes;
  • custo da embalagem;
  • comissão do aplicativo;
  • custo médio de entrega;
  • quantidade de pedidos por canal;
  • margem deixada por cada canal;
  • frequência de recompra.

Com esses números, a decisão deixa de ser baseada apenas em “quantos pedidos entraram” e passa a considerar quanto cada canal realmente contribui para o negócio.

O lanche de R$ 30 precisa pagar a operação

Para uma lanchonete de bairro, vender mais não significa necessariamente ganhar mais.

Um pedido que parece ótimo no faturamento pode ter uma margem pequena quando são somados comissão, pagamento, embalagem, produção e entrega.

Por isso, antes de definir preços e promoções, vale colocar cada canal na ponta do lápis.

Aplicativo pode trazer alcance. WhatsApp pode aproximar o cliente. Entrega própria pode ser uma alternativa logística.

O ponto principal é conhecer a conta de cada pedido e construir uma operação em que o aumento das vendas também faça sentido para o caixa.

Para fortalecer a presença local e ser encontrado por consumidores da própria região, o empreendedor também pode contar com o Portal NegóciosRio da sua região, ampliando os pontos de contato digitais do negócio além dos aplicativos de delivery.

MARCAS APOIADORAS

O Portal NegóciosRio é uma iniciativa apoiada por pessoas e empresas que reconhecem a importância do empreendedorismo regional para o desenvolvimento socioeconômico responsável e qualidade de vida para todos.